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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Chupeta: usar ou não usar?

BabySOL® voou e chegou a Mafra/Portugal, aos ouvidos de uma Dentista Infantil que manifestou vontade em incorporar este Blog e apresentar novos conteúdos que complementem aqueles que publico. A Dra. Helga Leite é uma (extremamente) simpática profissional, que trabalha no âmbito da Saúde Oral Infantil e nos brinda, a partir de hoje, com temas de relevância pertinente... Recomendo!

Desde o nascimento até cerca dos 18 meses o Bebé relaciona-se com o mundo exterior, essencialmente, através da boca. Este é o órgão mais importante do seu corpo. É através da boca que o bebé estabelece a relação de intimidade com a mãe durante a amamentação. A sucção fornece conforto emocional ao pequeno ser, daí que se afirme sem medo que a amamentação natural supre não só as necessidades nutritivas, mas também as necessidades psicológicas e emocionais. A chupeta ajuda a compensar o bebé emocionalmente, especialmente se nos reportamos a casos de desmame precoce, com adesão precoce ao biberão.

Neste contexto, considera-se pertinente desmitificar algumas ideias relativas à utilização de chupeta pelo Bebé…

Bebés que utilizam biberão precisam mais de chupeta?

Já contabilizou o tempo que um bebé demora a beber um biberão de leite? Em média, um bebé consegue beber um biberão de leite em cerca de 3 minutos, enquanto que a amamentação natural se realiza em cerca de 40 minutos, por mamada. A necessidade infantil de sucção pode ser compensada pelo recurso à chupeta, mas os efeitos deletérios associados à amamentação artificial (ex. maior probabilidade de desenvolver otites, alergias respiratórias, problemas na aquisição da fala e desequilíbrios no crescimento dos maxilares) manter-se-ão. A chupeta pode pois ser encarada como uma “válvula de escape” e nunca uma alternativa.

A chupeta é permitida até aos 4 anos?

A introdução dos alimentos sólidos coincide geralmente com a erupção do primeiro dente (o primeiro dentinho rompe entre o 6º e o 8º mês, mas alterações cronológicas na sequência de erupção não significam necessariamente que haja razões para preocupação). O bebé aprende então a mastigar. A necessidade fisiológica de sucção cessa entre os 9 e os 12 meses de idade, no entanto, a sua necessidade psicológica permanece. A chupeta pode ser uma aliada quando o bebé está cansado ou agitado, sendo conveniente o seu uso descontínuo e por períodos curtos (a maior parte dos bebés que precisam de chupeta para dormir, soltam-na assim que adormecem). Se a criança precisa da chupeta para obter estabilidade emocional, o desmame da chupeta deverá ser programado para ocorrer até aos 4 anos.

Como lidar com o prejuízo dentário?

Convém esclarecer que nem todas as crianças manifestam alterações induzidas pelo uso da chupeta. Mais do que a intensidade e tempo de sucção, o biótipo (caracter
ística individual que manifesta uma determinada tendência de crescimento crâniofacial) da criança é decisivo no desenvolvimento ou não de desarmonias dentárias e/ou esqueléticas. As alterações mais frequentes associadas ao uso da chupeta são:
a) mordida aberta (espaço entre os dentes superiores e os inferiores (foto 1)
b) mordida cruzada (maxilar superior mais estreito do que maxilar inferior)

Foto 1: Criança com dentes em mordida aberta.

E se uma qualquer destas características for detectada, idealmente, o desmame da chupeta deve ser iniciado, razão pela qual os pais devem estar mais atentos a partir dos 24 meses. A mordida aberta dificulta a dicção de sons sibilantes numa fase de aquisição da linguagem e dificulta também o corte dos alimentos, podendo dificultar a digestão alimentar. A correcção de mordidas cruzadas em crianças maiores (a partir de 6-7 anos) é efectuada com recurso a aparelhos próprios, que alargam o maxilar superior. Actualm
ente, áreas de correcção na medicina dentária como a ortopedia e ortodontia, solucionam facilmente estes problemas, mas a prevenção é sempre a melhor escolha…e a mais económica também!

Deixar a chupeta já é uma tarefa fácil!

Assumir a responsabilidade de “tirar a chupeta” a uma criança, sob pena de se criar algum prejuízo de cariz emocional, compromete a opinião de alguns profissionais.
Mas…e se fosse criada uma espécie de “chupeta boa” para substituir essa chupeta que insiste em deixar marcas na boca do seu filho?
De facto, existe no mercado um acessório denominado “Trainer”, sujeito a prescrição médica pelo dentista assistente, e consiste num aparelho miofuncional (espécie de ginásio que treina os músculos e estruturas da face) muito confortável, indicado para crianças dos 2 aos 5 anos (Foto 2).

O seu uso, além de compensar emocionalmente a criança, corrige os danos que a chupeta terá induzido. Este acessório educa a língua, os lábios, estimula a respiração pelo nariz e pode ainda ajudar a evitar traumatismos dentários, se usado durante os passeios de bicicleta ou corridas no jardim.

Foto 2: Acessório "Trainer" e forma de utilização.

Nesse sentido, os pais devem transmitir a máxima confiança à criança para o uso injustificado da chupeta, estimulando o seu abandono voluntário, e estimular, em simultâneo a utilização de aparelhos como o “Trainer” que contribuem também para facilitar esta separação, por vezes, de difícil implementação…

Para que não fique com dúvidas…

- Dê a chupeta ao seu bebé, sem culpas;
- Seleccione uma chupeta ortodôntica ou anatómica (já são muitas as marcas que evidenciam esta particularidade no rótulo);
- Se o seu bebé e a mamã foram privados da amamentação natural, a chupeta poderá ser uma forma de compensação emocional que ele procure;
- Evite aumentar o tamanho da chupeta ainda que o marketing desfavoreça esta ideia;
- Mude a chupeta com regularidade (além de diminuir o risco de contaminação bacteriana do acessório, evita que o seu filho se adapte demais à “velha” chupeta, rejeitando todas as outras que lhe apresenta);
- Se o seu filho não revela alterações na mordida, o desmame da chupeta deverá concretizar-se até aos 4 anos;
- Se o seu filho mostra alterações na mordida e/ou rejeita deixar a chupeta, peça ajuda ao seu dentista sobre a utilização do “Trainer”.

Este artigo pretende sobretudo avaliar as razões que possam levar os pais a ser mais permissivos, ou não, na necessidade da chupeta que o seu bebé apresenta. A personalidade do Bebé, a sua necessidade emocional mas também questões relacionadas com a sua evolução dentária poderão comprometer o seu uso continuado. É, pois, fundamental estar atenta e ir acompanhando este processo, em parceria, com o profissional envolvido nesta área.

Dra. Helga Leite

(prática exclusiva de odontopediatria e ortodontia)
Policlínica da Malveira/Mafra/Portugal


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Uff, que alívio! Afinal sempre existe outra opinião profissional, para além da minha, que apoia a utilização da chupeta até certa idade. Será que existe uma opinião contrária que se atreve expôr-se? Ficámos na expectativa, eu e a Dra. Helga estámos aqui prontas para as dúvidas. Fiquem por perto!

Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação


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4 comentários:

  1. Concordo consigo, soja nem ve-la.
    Ass.Mae meio cromita
    bjs

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  2. Olá Dra. Helga, sou dentista em São Paulo, Brasil, faço uso do sistema Trainer e gostaria de saber sobre suas impressões sobre os resultados. A Sra. usa todos os aparelhos ou somente o T4I ?
    Um abraço, Paulo Faria

    ResponderEliminar
  3. Olá Dr Paulo!
    Antes de mais, parece-me que a designação dos trainers no Brasil poderá ser ligeiramente distinta: o vosso T4I deve ser o nosso T4K , com indicação para crianças dos 6 aos 8 anos, certo? Eu utilizo bastante o Infant Trainer (2 a 5 anos) e também o T4K. Tenho obtido resultados muito satisfatórios, especialmente em mordidas abertas. Para maiores esclarecimentos, não hesite em questionar. Terei todo o gosto em responder.

    Abraço,
    Helga Leite

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  4. Olá Helga,

    O nosso T4I é para as crianças de 2 a 5 anos, o que vc chama de Infant Trainer, é o mesmo aparelho. Gostaria de lhe convidar a participar do grupo dos aparelhos Trainers no yahoo. http://br.groups.yahoo.com/group/sistematrainer/
    Será um prazer sua participação.
    Abraços,

    Paulo Faria

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