Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
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sábado, 25 de outubro de 2008

Principais mitos da alimentação infantil...

A propósito de algumas dúvidas das mãmãs que me têm contacto começo a encontrar em algumas delas um padrão alimentar infantil que "agarram", sendo incapazes de quebrar essa rotina, por vezes enraizada desde o seu bébé bem pequenino...deixo-vos este artigo do Prof. Dr. Paulo Ohm, que merece bem ler e reflectir...e mudar! Se for caso disso!

1. A ceia é fundamental. Errado!
No bebé mais pequeno, que come de 3 ou de 4 em 4 horas, não podemos falar de ceia. Após o nascimento, a criança demora alguns meses até adquirir um horário de refeições semelhante ao dos adultos. Mas a partir dos seis meses, a ceia pode ser dispensada. Não quer dizer que seja proibida, mas só deve ser dada se a criança pedir e esta não deve ser acordada de propósito para que possa beber um leitinho. Este esquema pode manter-se até cerca de um ano de idade. Nessa altura, já a criança come de tudo, com refeições completas. Por esta altura o mais correcto é tentar abolir a ceia. A partir dos doze meses de idade, o leite à noite pouco acrescenta em termos de calorias. O que a criança deixa de ingerir à noite acaba por compensar durante o dia. E o leite à noite fica na superfície dos dentes acabando por facilitar o aparecimento de cáries. Em resumo, a partir dos doze meses, a ceia, não sendo proibida, pode ser evitada.

2. A cenoura deve ser a base de todas as sopas. Errado!
A cenoura é conhecida por ser de paladar saboroso e de fácil digestão. Por isso, é muitas vezes aconselhada como primeiro legume, a par da batata. Para além disso, é rica em vitamina A que é fundamental para o desenvolvimento da visão (quem não ouviu já que "a cenoura faz os olhos bonitos"). Mas após as primeiras sopas, nada justifica que a cenoura tenha uma presença obrigatória nas refeições da criança. Pode ser substituida por outro legume, como a abóbora, como base da sopa. Para além disso, o excesso de cenoura leva a que algumas crianças acumulem na pele o pigmento alaranjado, ficando com o nariz e zona em torno da boca da cor da cenoura.

3. A criança deve manter sempre o mesmo esquema de alimentos. Errado!
A preocupação dos pais deve ser a de oferecer à criança alimentos diversificados e de boa qualidade e não manter um esquema alimentar monótono em que ela come sempre a mesma coisa. Deve ser estimulada a experimentar, pois a curiosidade é fundamental na nossa vida. "E se não quiser experimentar?", perguntam-me alguns pais. Nesses casos, a regra número um é não fazer da hora da refeição uma guerra. A criança deve ser educada de forma a provar de tudo e a ter a liberdade para depois dizer que não gosta. O que não pode é recusar-se a experimentar um alimento novo que lhe surge à frente. A função dos pais é levarem-na a provar a novidade e depois respeitarem a sua vontade.

4. A educação faz-se falando com a criança. Errado!
A educação faz-se pelo exemplo. Nunca observei uma criança com hábitos alimentares saudáveis quando os seus pais não os têm. A criança aprende observando, imitando aqueles que admira. Como pode uma mãe dar salada a um filho se o pai, sentado na cadeira ao lado, se recusa a comê-la? Com que autoridade pode um pai dizer à criança que deve comer uma peça de fruta, quando a mãe diz ao mesmo tempo que nessa refeição não vai comer nada de sobremesa? É importante que as regras sejam ensinadas, mas é mais importante ainda que sejam praticadas por toda a família. Não existe outra forma de educar. E isto é válido não apenas para a alimentação, mas para muitos outros aspectos da educação.

5. Os gelados são guloseimas. Nem todos.
Existem gelados de água e gelados de leite. É verdade que os primeiros são verdadeiras guloseimas, feitas com água, um aroma e açúcar. Mas os gelados de leite têm, habitualmente, grande qualidade e fornecem à criança uma quantidade de cálcio apreciável. Nos dias mais quentes, substituir o leite ou sumo do lanche por um gelado de leite ou nata não tem qualquer inconveniente. E pode até servir para quebrar a rotina.
6. A maioria das crianças obesas não vai ser um adulto obeso. Errado!
Os estudos científicos mais recentes revelam que cerca de 70% das crianças obesas vêm a ser adultos obesos. Muitos pais não têm consciência (ou preferem não pensar nisso) mas a verdade é que existe uma relação muito directa entre a obesidade infantil e a obesidade em adulto. E um adulto obeso é um adulto com maior tendência para sofrer de hipertensão, enfarte do coração e tromboses cerebrais. Por estas razões, não percebo por que muitos pais e mães encolhem os ombros quando o seu filho de seis ou sete anos tem um peso que ultrapassa todas as curvas de percentis. Pensam que, com a adolescência, tudo voltará ao normal. Mas como já vimos, na maioria dos casos não é assim. Deve ser preocupação dos pais que as crianças tenham um peso adequado ao longo de toda a sua vida. Se necessário, com a ajuda do pediatra ou, nos casos mais renitentes, de uma dietista.

7. As papas devem ser evitadas porque engordam. Errado!
A papa láctea representa um alimento privilegiado para fazer a transição entre uma alimentação exclusivamente à base de leite, como é até aos quatro a seis meses, e uma alimentação onde, para além do leite, entram outros alimentos. Por esta razão, é muitas vezes o primeiro alimento que os bebés experimentam quando iniciam a diversificação alimentar. Tem a vantagem de ainda ter leite, mas possuir já uma nova consistência, servindo de passaporte para a introdução do puré de legumes.

8. As crianças não podem comer entre as refeições. Errado!
A preocupação dos pais deve ser a de manter alguma rotina em relação às principais refeições: pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar. Para estas refeições a criança devem comer a horas certas e os alimentos certos com leite ou derivados ao pequeno-almoço e ao lanche e carne ou peixe ao almoço e jantar. Não existe qualquer inconveniente no facto de a criança comer um pequeno snack a meio da manhã ou a meio da tarde. O que está errado é a criança comer um grande snack que vai substituir a refeição principal que se segue. Da mesma forma, é importante que essa mini-refeição seja à base de leite, sumo ou cereais e está errado que esse snack seja constituído por guloseimas, como tantas vezes acontece. Desde que aquilo que a criança come a meio da manhã ou da tarde seja correcto, nas quantidades correctas e com qualidade, não há qualquer inconveniente.

9. Enquanto não tiver dentes, o bebé deve comer tudo passado. Errado!
Os dentes começam a surgir por volta dos seis meses. Mas podem surgir antes ou alguns meses depois. Muitas crianças têm o seu primeiro dente aos nove, doze ou mesmo quinze meses, sem que isso represente necessariamente um problema. Independentemente disso, a criança pode, a partir dos seis meses, começar a comer, para além do leite, papas ou purés, alguns alimentos mais sólidos, como pedaços de pão, bolachas ou pedacinhos de banana. Para estes alimentos, de mastigação fácil, a criança utiliza as gengivas, não os dentes. Os dentes anteriores, que são os que surgem primeiro servem principalmente para rasgar, não para mastigar. Não faz por isso qualquer sentido que a criança não possa comer pedaços de alimentos enquanto não tiver dentes.

10. Todas as crianças devem tomar suplementos de vitaminas. Errado!
O único suplemento que uma criança saudável necessita é o da vitamina D durante o primeiro ano de vida, para facilitar o seu crescimento e a constituição de ossos fortes e resistentes. Após os doze meses, se a criança tem um regime alimentar sadio e equilibrado, não necessita de qualquer suplemento. Uma criança que tenha hábitos alimentares adequados consegue retirar dos alimentos as quantidades necessárias de todas as vitaminas.
Paulo Oom, Pediatra e Professor de Pediatria.

Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação

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