Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
Este é um espaço virtual focado na qualidade alimentar que a família deve praticar em casa, nas compras, na creche, na escola, no trabalho.
Aqui encontrará excelentes conselhos de Nutrição e também de Segurança Alimentar a seguir pelo consumidor para si e sobretudo para as suas crianças!

domingo, 28 de junho de 2009

Amamentação de Bebés que bolçam...

Sofri na pele, nos meus difíceis momentos de mãe de 1ª viagem, com o facto de o meu filhote bolçar constantemente... Um mês após o seu nascimento, a pediatra insistiu que eu abandonasse a amamentação e que fosse apenas dado ao Gabriel leite AR... Contestei e consegui ainda amamentar, em paralelo, até aos seus 6 meses... Hoje teria sido diferente.

Pedi pois à Conselheira de Amamentação Patrícia Paiva que escrevesse sobre este assunto, na ânsia de ajudar as mamãs nesta situação e talvez assim diminuir um pouco a minha culpa...



Não deixe de ler os artigos publicados anteriormente neste âmbito:


A maioria dos bebés bolça, ou seja, rejeita algum do leite ingerido, ou a seguir à mamada ou algum tempo depois. Este facto denomina-se de refluxo fisiológico e deve-se à imaturidade do sistema digestivo, em particular do esófago (tubo que faz a ligação entre a boca e o estômago), que não consegue evitar que algum do conteúdo estomacal suba até à boca. Apesar de parecer que o leite rejeitado é em grande quantidade, a mãe não deve preocupar-se se o bebé apresenta um ar saudável, se continuar com dejecções e micções frequentes e se se verificar o seu continuado aumento de peso.
No caso do bebé que é amamentado, surge uma particular tensão com este problema fisiológico pois a mamã receia que o seu bebé perca alimento e não possa, em pouco tempo, repô-lo.

Saiba que, para os bebés que bolçam, pode ter os seguintes cuidados:
- Mamadas mais frequentes (sempre que o bebé der sinais de interesse em mamar), assim o leite ingerido será menor e de digestão mais fácil;
- Dar de mamar numa posição mais inclinada, mantendo o bebé quase sentado;
- Para os bebés mais irrequietos a mamar, tente o máximo de contacto pele a pele, amamente em andamento (andando ou embalando o bebé com movimentos suaves), no banho ou enquanto o bebé dorme;
- Uma boa pega é importante para diminuir a entrada de ar durante as mamadas;
- Permitir ao bebé esvaziar o primeiro peito antes de oferecer o outro, deixando que seja este a largar o peito ou que pare de mamar e não interrompendo a mamada para trocar de peito, alternar de peito várias vezes ou cedo demais pode fazer com que o bebé bolce mais;
- Para os bebés que querem mamar frequentemente, tente oferecer uma mama em cada mamada, em vez das duas mamas na mesma mamada;
- Deixe o bebé mamar o tempo que desejar, mesmo que já não esteja a ingerir leite, pois isto faz com que o bebé acalme e esvazie o estômago mais facilmente;
- Evite movimentos rápidos e desnecessários a seguir à mamada;
- O bebé pode sentir-se mais confortável se mantiver uma posição vertical a seguir à mamada, deitá-lo apenas algum tempo depois de mamar e elevar a cabeceira da cama podem ser boas ajudas.
Todos os bebés são diferentes, por isso deve estar atenta aos sinais do seu bebé para avaliar quais das dicas sugeridas aliviam os sintomas do refluxo.

O que pode a mãe fazer para diminuir o refluxo do bebé?
- Amamentar! O refluxo é menos comum em bebés amamentados, e mesmo os bebés amamentados que têm refluxo, têm menos episódios de refluxo e estes são mais curtos, e o refluxo à noite é menos grave. O leite materno sendo de mais fácil digestão, é facilmente encaminhado para o intestino, deixando o estômago vazio e impedindo assim o refluxo;
- Acalme-se, e assim o bebé estará mais calmo, logo terá menos refluxo.
- Eliminar a exposição do bebé a ambientes com fumos, pois é um factor que contribui para o refluxo;
- Reduzir ou eliminar a cafeína, excesso de cafeína na dieta da mãe pode contribuir para o refluxo;
- Alguns bebés poderão ter refluxo devido a alergia a algum alimento na dieta da mãe, a maioria poderá ser causado devido ao leite de vaca. Neste caso, experimente retirar o leite de vaca ou o alimento de que suspeite durante duas semanas da sua alimentação. Fique atenta às melhoras: se notar melhorias evite ou elimine esse alimento, substituindo por outros alimentos com semelhante valor nutricional. Contudo, tratando-se de alergia, o bebé pode ter outros sintomas além do refluxo.
- Altere a posição do seu bebé: o refluxo é pior se o bebé estiver completamente deitado. Utilize um porta-bebés para manter o bebé erecto durante mais tempo.
- Evite comprimir o abdómen do bebé, mantendo a roupa larga e a fralda pouco apertada podem ajudar; evite posições em que tenha de dobrar o bebé, por exemplo vire o bebé de lado, em vez de aproximar os pés da barriga quando muda a fralda.
- A posição que diminui melhor o refluxo é de barriga para baixo, mas esta apenas deve ser utilizada se o bebé estiver acordado e sempre vigiado por um adulto. Poderá colocá-lo de lado sob o lado esquerdo, pois a pressão do estômago assim é menor.
Mais uma vez, recomenda-se que verifique o que resulta melhor com o seu bebé e vá adaptando as recomendações conforme verificar melhorias, ou não, no seu bebé.

Segundo o Dr. Carlos Gonzalez: “A amamentação é particularmente recomendável nestes casos, pois diminui a duração dos episódios de refluxo. Por outro lado, os alimentos espessados (como os leites anti-regurgitantes) são praticamente inúteis no tratamento do refluxo. Constitui um erro grave desmamar uma criança para lhe dar um destes leites.” – Manual Prático do Aleitamento Materno, página 231.

O refluxo vai diminuindo com a maturidade do sistema digestivo, e a maioria dos bebés deixa de bolçar até ao primeiro ano de idade. A Organização Mundial de Saúde recomenda que os bebés sejam amamentados em exclusivo até aos 6 meses e complementando com outros alimentos até pelo menos aos 2 anos, e os bebés com refluxo devem também seguir esta recomendação, pois as vantagens da amamentação sobrepõem-se aos incómodos do refluxo.

Patrícia Paiva
Conselheira em Aleitamento Materno (OMS/UNICEF)


Image Hosted by ImageShack.us

Leia também estes artigos:

Artigo I Alimentação da mãe que amamenta
Como aumentar a produção de leite materno?
A amamentação e o regresso ao trabalho
Cuidados para armazenar o leite materno
Aquecer leite materno no micro-ondas...
Como acondicionar o leite materno que extraio no meu emprego?

Conte a sua experiência... O que poderia partilhar com outras mães para que disfrutassem em pleno da amamentação? Desta vez eu comento como visitante...

Sigam BabySol® nas Redes Sociais:



Email

Receba as actualizações do Portal BabySOL®:

Introduza o seu email:


2 comentários:

  1. Para mim, este assunto é de índole pessoal...Ainda antes do Gabriel nascer, conhecia as vantagens da amamentação e desejava muito amamentar. Mas não sabia que estava sozinha. A sociedade desfavorece a amamentação e parte da comunidade médica tb...essa realidade só conheci mais tarde. Lamento, ainda hoje, não ter conseguido amamentar o meu filhote em pleno, mais do que um mês. Hoje tudo teria sido diferente...
    Por isso, no que depender de mim, tudo farei para oferecer informação às mães deste País!
    Fiquem por perto, combinado!
    Bjs e até breve,
    Solange

    ResponderEliminar
  2. Solange e leitores....O meu Santiago sempre teve esse problema, e ainda hoje com 5 meses e meio continuo a amamentar em exclusivo.No príncipio desesperei 1º pensei que o leite não seria bom, 2º que ele faria alergia a alguma coisa que eu comesse e 3º falei com o pediatra que é 5* e me disse para eu não me preocupar com isso continuar a dar maminha sempre que ele quisesse, e o certo é que o santiago hoje pesa mais de o dobro do que quando nasceu, e eu aprendi uma frase que é a seguinte:
    "os problemas da amamentação resolvem-se amamentando e adorando".
    Um beijinho

    ResponderEliminar

Comente este Blog.
A sua participação irá enriquecê-lo e promover novos conteúdos. Obrigada e...fique por perto!