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sábado, 13 de junho de 2009

Pais à beira de um ataque de nervos...


No apoio personalizado em Alimentação que ofereço às Mamãs, on line, deparo-me frequentemente com situações de resistência infantil, muitas vezes também relacionadas com algum tipo de tensão familiar, acumulada no seio do lar. Por isso propus à Psicóloga Marta Salazar este artigo. Depois digam-me o que acharam...

Educar uma criança é sempre um desafio.
Muitos dos actuais pais vão repetindo as estratégias educativas de que foram alvo, enquanto outros optam por arriscar novas práticas parentais.

O que parece ser efectivamente uma constatação é que a imposição de regras, associada a uma proximidade afectiva dos pais aos seus filhos, pode levar a melhores competências pessoais e sociais nas crianças e jovens. A existência de regras é importante porque promove o desenvolvimento de competências como a responsabilidade, o autocontrolo, a independência e a auto-estima da criança. Por seu lado, a ligação afectiva dos pais aos filhos assume um papel fulcral, uma vez que os comportamentos parentais de compreensão e carinho estão associados com as capacidades de cooperação e inter-ajuda dos seus filhos.

Desisto…não consigo comunicar com o meu filho!

Muitas vezes, os pais dos adolescentes queixam-se que os filhos não conversam com eles, não os ouvem e não lhes contam nada sobre as suas vidas.Mas as dinâmicas comunicacionais entre pais e filhos iniciam-se bem mais cedo e influenciam largamente as vivências familiares e os comportamentos futuros dos filhos.Sabia que crianças e jovens que comunicam adequadamente com os pais tendem a apresentar melhores capacidades de interacção social, quer com adultos, quer com crianças ou jovens da mesma idade? E que também têm menor probabilidade de se envolverem em comportamentos problemáticos?
Por isso, é importante que, desde cedo, os pais tentem estabelecer estratégias positivas de comunicação com os seus filhos. É essencial que, eles próprios, sejam capazes de partilhar as suas vivências e dificuldades, contar as suas histórias passadas, os seus sonhos e aventuras e os seus medos e angústias.
O facto de se mostrarem dispostos à conversa e serem capazes de aconselharem com expressividade emocional positiva, fazendo com que os filhos digam “Estou triste…”, “Estou zangado…”, “Estou aborrecido…”, “Acontece-me isto ou aquilo…”, Tenho medo de…”, ajudando os filhos a identificarem emoções, irá facilitar a partilha e uma comunicação entre pais e filhos efectivamente positiva.
Mas … Pais não se esqueçam… Comunicar não é só verbalizar. E existem outras estratégias de comunicação tão ou mais importantes do que as palavras que dizemos. Um almoço, um beijo, um abraço, rir, cantar ou fazer planos de actividades em família são formas de comunicação poderosas!

Desisto…não faz nada do que lhe mando!

Esta capacidade de comunicar com os filhos inicia-se desde o nascimento com a necessidade de impor regras e limites às crianças.Sabia que crianças e jovens cujos pais impõem adequadamente regras e limites tendem a apresentar melhores capacidades de interacção social, quer com adultos, quer com crianças ou jovens da mesma idade? E que também têm menor probabilidade de se envolverem em comportamentos problemáticos?
Por isso, é importante que, desde cedo, os pais sejam capazes de definir objectivamente os limites, ou seja, o que é permitido e o que é proibido. Depois das regras estarem clara e objectivamente explicitadas entre pais e filho, como por exemplo, o horário de dormir, o horário de estudar ou horário de brincar, é importante deixar claras quais as consequências associadas ao não cumprimento das regras estabelecidas. Por exemplo, não brincar por não ter feito os trabalhos de casa, não ir a casa do amigo por não ter cumprido o horário de deitar, etc. Essencial é que não se cometa o erro de definir consequências que depois não se poderão cumprir, nem estabelecer regras que não valham a pena ser cumpridas.Se as regras e as consequências forem definidas em conjunto com a criança, será muito mais fácil lidar com as eventuais falhas, pois a criança concordou com o estipulado, não podendo, agora, alegar que “não é justo”.É importante apresentar um comportamento firme, não alterando nada ao que foi estipulado. É claro que manter os limites e as regras nem sempre é fácil, principalmente quando isso implica lidar com as birras e os amuos, mas se as crianças sentirem hesitação, irão perceber que podem ir manipulando os pais. No entanto, esta percepção irá trazer associados os sentimentos de insegurança e confusão, pois, afinal, não vão saber muito bem com o que contar.Nos momentos das birras, é importante conseguir manter a firmeza e a calma, evitando responder na mesma moeda e ser agressivo. Comece por explicar sempre a razão do “Não” e tente mostrar que compreende os seus sentimentos, recorrendo às suas próprias experiências enquanto criança. Explique que quando tinha a idade do seu filho também lhe disseram que não na mesma situação e que também ficava desagradado. É preciso, contudo, que o seu filho perceba que, apesar de tudo, as birras não irão funcionar para o mudar de posição ou fazer ceder, apesar de continuar a gostar muito dele.Em situações extremas, em que nada parece resultar, o melhor é mesmo ignorar o comportamento por alguns minutos, pois muitas birras terminam quando as crianças deixam de ter público.
É importante que, além das consequências negativas perante o incumprimento das regras, existam consequências positivas quando os limites são cumpridos. Com certeza irá reparar que a probabilidade das regras serem cumpridas aumenta se associado ao cumprimento e respeito pelos limites estabelecidos estiverem elogios, atenção e afecto. Na verdade, melhor do que castigar e punir perante as falhas, é chamar a atenção do que é positivo e adequado.O elogio é, de facto, uma arma poderosa, pois aumenta a auto-confiança e a auto-estima da criança, criando uma rede de segurança que lhe permite aventurar-se na procura de comportamentos cada vez mais adequados.Em geral, quando os pais fazem o exercício de pensar nos momentos em que têm elogiado os seus filhos, apercebem-se que os têm criticado com uma maior frequência.

Desisto…vou mesmo perder o controlo!

E depois, existem aquelas fases em que os pais sentem que estão mesmo à beira de um ataque de nervos e que a qualquer momento quando as coisas com o seu filhos não correrem da melhor maneira irão mesmo perder o controlo e …Então, nestas situações, o melhor é parar e centrar o pensamento em duas questões essenciais: Em que situações perco o controlo na relação com os meus filhos? e O que faço para me tentar controlar?Algumas pistas que o poderão ajudar são perceber em si próprio os sinais de descontrolo; ensinar o seu filho a reconhecer os sinais que indicam que se está a descontrolar; usar mensagens “eu sinto-me...”; evitar pensamentos extremos ou definitivos; evitar afirmações ou acções relativamente às quais se possa vir a arrepender; controlar os seus pensamentos: “Não vou deixar que a raiva me controle”; “Sou capaz de me controlar e resolver isto com calma”; “Que importância vai ter isto daqui a uma semana?”; evitar entrar em lutas de poder (ver quem ganha ou quem perde); tentar pensar num castigo, caso seja necessário, que seja viável no quotidiano da família.Se ainda assim, não for possível controlar-se, há que saber pedir desculpa mais tarde, por se ter descontrolado!

Diário de bolso…

Importa que os pais, na sua aventura de educar uma criança, não se esqueçam da importância de, desde o nascimento dos filhos, procurar estabelecer estratégias positivas de comunicação com eles, promovendo a partilha de experiências, vivências, opiniões, dificuldades e emoções, quer no sentido filhos-pais, mas também pais-filhos.É essencial ser capaz de definir regras claras, objectivas e possíveis de serem cumpridas, mantendo sempre um comportamento firme perante o estipulado, mas não confundindo autoridade com autoritarismo e não descartando a importância dos elogios, da atenção e do afecto.

Dra. Marta Salazar
Psicóloga

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3 comentários:

  1. Boa tarde,
    Sou uma feliz mamã de primeira viagem, de um bebé de 19 meses,o Guilherme.
    O nosso querido filho demonstra já uma personalidade muito vincada, é muito curioso e não lhe chega visualizar as coisas, tem que mexer...
    Pela primeira vez esta semana, fez uma birra enorme num centro comercial, quando lhe tirei da mão a minha carteira, apesar de lhe ter explicado que era a carteira da mamã e não devia mexer, o Guilherme optou por se atirar para o chão em prantos, daqueles prantos em que toda a gente vira a cara para ver o que se passa.
    Tenho a noção de que não me controlei, peguei no Guilherme ao colo e fui para casa, tentando explicar-lhe que foi mau para a mamã e que fiquei triste...
    Pois é, aqui começa a ansiedade e a dúvida... será que estou a proceder correctamente? O que fazer?
    Tenho consciência de que não sou nem serei uma mãe perfeita e que hei-de errar na educação do Guilherme, mas apesar de estar bem consciente é inevitável o sentimento de medo...
    Um beijinho a todas as mamãs e ao Portal BabySol!

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  2. Olá Ana,
    Agradeço o seu comentário e pertinência da questão deixada.
    Tomei a liberdade de publicar esta dúvida num artigo dado que a resposta deixada pela Dra. Marta é longa e abrangente. Espero que não se importe.
    Veja aqui o artigo de hoje:
    http://solangeburri.blogspot.com/2010/03/como-agir-em-caso-de-birra.html

    Bjs e fique por perto,
    Solange Burri

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  3. Olá! Sou mãe duma piquena linda que está a caminho dos 8 meses de idade e para já não tenho grandes preocupações no campo da educação, mas como é lógico penso muito em como vai ser a minha filha com o crescimento e também aí surgem os meus receios, mas sinto-me segura, uma vez que me identifico com o que acabei de ler e começo a constatar que "aquelas coisas que pensava e dizia" antes de ter filhos, à qual me respondiam "tu para lá caminhas e depois falamos", afinal não eram teorias que eu tinha, mas sim a minha forma de estar perante a vida e a educação que quero dar à minha filha, pois com apenas 7 meses já nos vai pondo à prova.
    Quanto ao que aconteceu com a Ana e o Guilherme, eu provavelmente reagiria tal e qual, pois não gosto de incomodar os outros que estão a tentar ter um momento de lazer com as birras da minha filha, teria era que lhe fazer perceber, tal como a Ana, que ficamos muito tristes com a atitude dela e que se se repetisse uma próxima vez, ela não voltaria àquele lugar com os papás, ou seja, quem sairia a perder seria ela.
    Mas isto é muito complexo e cada caso é um caso, o que é importante é não desistirmos e sermos mais teimosos que os nossos filhotes, pois eles tentarão, como sinal da sua inteligência, vencer-nos pelo cansaço!
    Cumprimentos para todas as Mamãs!

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