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domingo, 9 de agosto de 2009

Crianças vegetarianas...sim ou não?


São muitas as pessoas que me contactam na tentativa de implementarem uma alimentação vegetariana nas crianças que têm a seu cargo, sobretudo quando este tipo de dieta já faz parte da rotina familiar. Por isso, pedi à Dra. Cidália Almeida, amiga e colaboradora BabySOL®, que escrevesse umas linhas sobre este assunto sensibilizando mais uma vez para a necessidade da diversificação alimentar, especialmente nas crianças...

Crianças Vegetarianas... sim ou não?
Vegetariano: como definir?
A Sociedade Vegetariana do Reino Unido define “vegetariano” como alguém que não come nenhum tipo de carne e derivados, incluindo a de aves bem como peixe, marisco ou crustáceos. Este regime alimentar baseia-se sobretudo no consumo de alimentos de origem vegetal, com ou sem consumo de lacticínios e/ou ovos.

Tipos de vegetarianismo:
Ovo-lacto-vegetarianos – regime alimentar que inclui hortícolas, fruta, leguminosas (ervilhas, lentilhas e feijões) e cereais (tais como o trigo, a aveia e o arroz), suplementado ainda com ovos e produtos lácteos (leite, creme, queijo e iogurte).
Lacto-vegetarianos – dieta composta por alimentos de origem vegetal, leite e seus derivados, excluindo os ovos.
Ovo-vegetarianos – dieta composta apenas por alimentos de origem vegetal e ovos, havendo a exclusão de produtos lácteos e seus derivados.
Vegetarianos estritos – dieta totalmente baseada em alimentos de origem vegetal, não incluindo ovos, derivados lácteos e nenhum tipo do produto de origem animal, como o mel, por exemplo.

É um regime saudável durante a infância?
A literatura científica mostra que indivíduos que seguem um regime vegetariano apresentam um risco reduzido de diversas doenças crónicas como a obesidade, doença de artéria coronária, hipertensão, diabetes mellitus e alguns tipos de cancro. A American Dietetic Association (ADA) refere que este regime alimentar é perfeitamente saudável para a criança desde que correctamente planeado. No caso da dieta incluir ovo e/ou produtos lácteos as necessidades nutricionais da criança são facilmente satisfeitas. No caso das crianças vegetarianas estritas existem alguns cuidados que deverão ser considerados, para que não existam carências nutricionais.
As dietas vegetarianas são ricas em hidratos de carbono (glúcidos), fibras, magnésio, potássio, ácido fólico, antioxidantes (como a vitamina C e E) e fitoquímicos (carotenos, licopeno, flavonóides, por exemplo), além de apresentarem geralmente menores quantidades de gordura saturada e colesterol.

Necessidades energéticas
Um aporte energético adequado é essencial ao crescimento de todas as crianças. Deste modo, a dieta deverá ser o mais variada possível e incluir alguns alimentos de maior densidade energética (mais calorias) como frutos secos (figos, ameixas…) e gordos (nozes, avelãs, amêndoas…), que para além de fornecerem gorduras de boa qualidade (polinsaturadas), apresentam quantidades interessantes de proteína e minerais, como o magnésio e o potássio.

A dieta vegetariana contém proteína suficiente?
Se a ingestão energética estiver adequada à criança, as necessidades de proteína serão, muito provavelmente satisfeitas. Do mesmo modo, se a dieta incluir ovo e/ou produtos lácteos, as necessidades proteicas são facilmente atingidas. De qualquer forma, recomenda-se que as crianças vegetarianas façam várias refeições ao longo do dia onde incluam leguminosas (feijão, grão, soja), derivados de soja e cereais (vegetarianos estritos). A ingestão associada de leguminosas e cereais de que é exemplo o conhecido arroz de feijão permite a obtenção de proteínas de elevada qualidade, facilmente utilizáveis pelo nosso organismo.

Vitaminas e minerais
No planeamento de uma dieta vegetariana estrita existem algumas vitaminas e minerais aos quais se deverá prestar particular atenção, uma vez que se encontram em maior abundância e/ou com maior biodisponibilidade (mais facilmente aproveitados pelo organismo) em alimentos de origem animal. Deste modo, destacamos os minerais cálcio e ferro e as vitamina B12 e D.
Uma adequada ingestão de cálcio é fundamental durante a infância e adolescência para assegurar uma adequada deposição óssea e evitar mais tarde patologias como a osteoporose, bem como para um correcto desenvolvimento dentário. Em vegetarianos estritos o cálcio poderá ser obtido através da ingestão de bebidas de soja suplementadas com este mineral, bem como com os derivados de soja (tofu, por exemplo). As leguminosas como o feijão, lentilhas, grão-de-bico, frutos secos, sementes (linhaça, sésamo…) e vegetais de folha verde fornecem igualmente cálcio e contém quantidades apreciáveis de ferro. O consumo de alimentos ricos em vitamina C (fruta crua como laranja, kiwi, morangos e tomate…) numa refeição que inclua alimentos fornecedores de ferro pode triplicar a sua absorção.
A vitamina B12 é encontrada exclusivamente em alimentos de origem animal, excepto nas algas, pelo que vegetarianos estritos deverão consumir alimentos suplementados com esta vitamina como cereais de pequeno-almoço, derivados de soja ou recorrer a suplementos específicos desta vitamina, com devida recomendação médica. A vitamina B12 possui uma função indispensável na formação do sangue, bem como na adequada manutenção do sistema nervoso.
O nosso organismo necessita igualmente de vitamina D, o qual poderá ser obtido através de diversos produtos alimentares suplementados nesta vitamina, como os cereais de pequeno-almoço ou as bebidas de soja, ou mais facilmente, pela exposição à luz solar. Quinze a vinte minutos de exposição diária, enquanto as crianças brincam por exemplo, é suficiente para síntese de vitamina D, a qual promove a absorção de cálcio.

Resumindo…
Uma dieta vegetariana, mesmo que estrita, poderá ser nutricionalmente adequada às necessidades nutricionais da criança. Contudo, deverá ser correctamente planeada para evitar carências nutricionais na criança em desenvolvimento.
Em caso de dúvida, não hesite em consultar o seu médico e nutricionista.

Cidália Almeida
Nutricionista

Parece-me oportuno referir também que os primeiros anos de vida representam as faixas etárias de elevado desenvolvimento pelo que implementar uma dieta vegetariana estrita antes dos 24 meses de idade, deve ser uma medida muito bem vigiada pelo médico assistente e acompanhada por uma pessoa que domine bem a combinação dos alimentos necessários mesmo que a criança esteja ainda a ser amamentada.

Dra. Solange Burri

Consultora em Alimentação



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