Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Que Cuidados Alimentares existem na Creche?

Recentemente tive o prazer de conhecer a Educadora Sónia Carvalho, excelente profissional e Educadora de Infância, a qual convidei para escrever este artigo. Não tenho dúvidas que, na óptica da Creche, este e os próximos artigos que desejo publicar venham suscitar algumas reflexões do modo como, nós mães, podemos e devemos colaborar na Creche dos nossos filhotes, na sua Educação...

A entrada da criança na Creche assume grande angústia e ansiedade, sobretudo para a mãe que, até então, se dedicou a descobrir o seu bebé e a redescobrir-se a si mesma. Estes sentimentos são tanto maiores quanto mais pequena é a criança pois para a progenitora é muito difícil confiar o seu bebé aos cuidados de terceiros, uma vez que existe uma série de especificidades e características individuais que teme que venham a ficar dissolvidas no seio do grupo ao qual o seu filhote irá pertencer.

Uma das “áreas” onde esta preocupação é pertinente é ao nível da alimentação que, em crianças pequenas, acentua a individualidade e diferenciação entre elas. A atitude dos profissionais é extremamente importante neste aspecto devendo estes ser capazes de transparecer aos pais que o seu filho é um ser único e todas as suas necessidades serão respeitadas, incluindo alimentares, que representam a sua principal preocupação.

Assim, de que forma poderão os profissionais ter estes aspectos em consideração para tranquilizar, garantir e transparecer pelo trabalho realizado na sua prática diária?

- A importância da realização da entrevista de diagnóstico – conversa entre o/a Educador(a) responsável pela sala onde a criança será inserida e a/o Encarregada/o de Educação, onde se dá lugar à clarificação da informação considerada pertinente sobre as necessidades, desenvolvimento do bebé e expectativas da família o que possibilitará, entre outros aspectos, um maior conhecimento acerca das rotinas alimentares, preferências, alergias, restrições, alimentos já introduzidos, ou seja, todo o esquema alimentar do bebé. Toda a informação obtida nesta entrevista é alvo de registo escrito em documento próprio - ficha de avaliação diagnóstico - e que servirá a posteriori como base para a elaboração do plano de desenvolvimento individual (PDI) do bebé;

- A importância de ter a mãe na creche nos primeiros tempos – é fundamental que o/a Educador(a) incentive a mãe a estar presente, sobretudo, nos dias de adaptação, para perceber as técnicas maternais implementadas: como prepara os alimentos, como dá a comida ao bebé, qual a atitude que toma quando este não quer comer, etc.;

- A importância de colaborar com a mãe na amamentação – a entrada na creche não pode significar o fim do aleitamento materno, pelo contrário, para além de ser óptimo em termos nutricionais é-o também em termos de segurança afectiva permitindo reforçar a relação de confiança entre mãe, bebé e profissionais. O Educador e a mãe podem, e devem, acordar formas de gerir e combinar as mamadas com a alimentação sólida. No caso de a mãe não poder deslocar-se à creche para dar de mamar será de considerar a extracção manual/eléctrica do leite materno devendo a Instituição/Profissionais estar preparados para o conservar e manusear correctamente;

- A importância de respeitar o ritmo do bebé - sobretudo no primeiro ano de vida é fundamental que seja o bebé a ditar o seu ritmo, é ele quem dá as ordens… é ele quem sabe quando quer comer e quando tem necessidade de o fazer e não o contrário, ou seja, o bebé é quem determina os horários e não os adultos que o rodeiam. Esta atitude permite, também aos pais manter as suas rotinas habituais não havendo, assim, lugar a mudanças bruscas que poderão desencadear alguma ansiedade no bebé e influenciar negativamente o seu processo de adaptação à creche;

- A importância de respeitar as indicações do pediatra/médico assistente do bebé: o médico que acompanha o bebé e conhece todo o seu historial possui todos os conhecimentos necessários ao nível do desenvolvimento e nutrição infantil. A sua participação é extremamente útil, sobretudo, quando o bebé deixa a alimentação exclusiva com leite e passa à introdução dos alimentos sólidos. Os seus conhecimentos combinados com a prática diária do educador são um elo fundamental para o sucesso desta nova fase na vida do bebé, a qual deverá ser sempre exposta pelos progenitores;

-A importância de manter o diálogo frequente com a mãe/prestador de cuidados - de forma a manter toda a informação relativa à alimentação do bebé actualizada o que permite a concordância de práticas, formas de fazer entre casa e na creche;

- A importância da formação dos profissionais da creche na área da nutrição infantil – de forma a possuírem conhecimentos sólidos na área para assim poderem ajudar e aconselhar os pais sempre que necessário dando uma resposta adequada às necessidades do bebé. Não será de desvalorizar que a creche tem, também, uma função social/assistencial devendo ser capaz de orientar famílias desfavorecidas e com menor grau de informação;

- A importância da elaboração de ementas – deverão ser sempre elaboradas por pessoal especializado na área da saúde alimentar e nutrição como garantia de respeito pelas regras de uma alimentação saudável e adequada às diferentes faixas etárias.
O maior cuidado a ter nas creches, sobretudo nas faixas etárias dos 3 aos 24 meses, é sem dúvida, o de garantir um serviço especializado e individualizado capaz de garantir as necessidades de todos e de cada um em particular não devendo ser imposta a uniformização principalmente ao nível da alimentação.

Educadora
Sónia Carvalho

Reflexões da Autora:
Como a Criança ensina o Educador


Obrigada Sónia pela tua dedicação e por nos mostrares também que é possível contribuirmos, todas juntas, para melhorarmos o serviço de Educação que nos é prestado... juntas chegaremos lá...com BabySol®, pois claro!

Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação

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