Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Crianças africanas com desiquilíbrios alimentares...


Mais um motivo de orgulho BabySol®. Não só pela procura por parte de Enfermeiras, o que aliás registámos frequentemente com satisfação mas sobretudo porque se abre hoje neste espaço a etiqueta "África" depois de implementada a do "Brasil"...sim, são várias as origens de expressão de língua portuguesa que o tráfego regista mas envolvermo-nos na sua Educação Alimentar é uma honra! Obrigada M.

Eu sou enfermeira. Neste momento encontro-me a trabalhar na consulta de saúde Infantil - crianças dos 0 aos 2 anos. Tenho muitas mães de nacionalidade Africana em que o milho, a mandioca e a batata doce são alimentos habituais na sua alimentação. Gostaria de saber a partir de que idade estes alimentos poderão ser integrados na alimentação das crianças.
Um número já preocupante das nossas crianças apresenta excesso de peso, essencialmente causados por erros alimentares. Gostaria de saber as quantidades que considera aceitáveis destes alimentos para as crianças dos 0 aos 2 anos que não agravem a situação (M.).

Obrigada por contactar a linha de apoio BabySol® - Segurança Alimentar e Nutrição Infantil e sobretudo pelo voto de confiança depositado no desempenho da sua rotina profissional.

A sua pergunta é deveras pertinente, sobretudo porque aborda o sobrepeso como um desiquilíbrio alimentar em resultado da disponibilidade de alimento que existe no contexto sócio-cultural desse nicho populacional...

Bem, M., apesar de eu não ser nutricionista, aquilo que eu lhe posso dizer é o seguinte:

1º Se existe um desiquilibrio alimentar é preciso avaliar a causa no seu todo. Desde factores ambientais (hábitos familiares, rotinas, tradição cultural, recursos financeiros), factores genéticos e também factores de disponibilidade de alimento. Estas crianças têm realmente forma de compensar a sua alimentação, substituindo o excesso de milho, a batata doce e a mandioca por outras fontes de proteína, com menor impacto no teor em hidratos de carbono? As famílias estão sensibilizadas para respeitar intervalos entre as refeições, mas realizar várias ao longo do dia? Como estão a ser cozinhados estes cereais?

2º Por outro lado, considero que a taxa de crescimento até aos 24 meses é sem dúvida elevada e portanto sujeita, na minha opinião, à demanda equilibrada de hidratos de carbono de modo a saciar as suas elevadas necessidades energéticas...mas...estas crianças apresentam uma taxa de crescimento normal dentro do seu nicho populacional?

3º Outra questão, como já referi, será não só a forma como estes cereais são cozinhados mas também a frequência com que são oferecidos, impedindo a rotatividade nutricional que se exige, em especial, nestas faixas etárias. Portanto, cara colega de saúde infantil, parece-me que a melhor estratégia para ajudar estas crianças será:

- Estabelecer padrões de comportamento, de evolução corporal e de hábitos familiares para poder assim avaliar o desvio que estas crianças sofrem dentro da sua população;
- Ensinar estas mamãs a diversificar mais a alimentação das suas crianças, oferecendo também sopa e fruta bem como carne e peixe;
- Incentivar até mais tarde possível a amamentação, sensibilizando e ensinando a mamã como deve alimentar-se correctamente;
- Analisar os hábitos de cozinhar que estas mamãs conhecem e adaptar as recomendações de saúde infantil aos seus rituais gastronómicos culturais.

Nesse sentido, não me é possível definir, com clareza, nem as quantidades sujeitas destes cereais, pois depende também da frequência com que são oferecidos (privando o organismo de outros alimentos igualmente importantes) nem as faixas etárias com que o seu consumo é recomendado dado que, acredito, o façam, por escassez de recursos, mais cedo do que é devido.
A título orientativo posso indicar-lhe que a batata-doce, a mandioca e o milho estão recomendados, para as crianças portuguesas, por volta dos 6-8 meses e se a criança até então não apresentou qualquer tipo de alergia/intolerância aos cereais. Adianto ainda que não existem estabelecidas pela ESPGHAN critérios de introdução dos legumes/frutas/cereais na dieta infantil dado que os mesmos estão enquadrados nos hábitos culturais das diferentes populações.

Faz pensar não faz? Sobretudo nos recursos que nós possuímos ao nosso alcance e o privilégio com que, facilmente, variamos a alimentação dos nossos filhos...mas, e quando falta alimento, o que fazer? Sugestões aceitam-se...

Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação

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