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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O meu filho é alérgico!


O aparecimento de alergias em crianças é um fenómeno cada vez mais frequente, suscitando preocupações, dúvidas e receios a pais e educadores também.

Existem vários tipos de alergias: respiratórias, dermatológicas e alimentares. Esta última é causadora de inúmeras preocupações aquando da integração da criança na Escola.
A entrada na creche ou na escola de uma criança alérgica é, muitas vezes, encarada com receio e apreensão, não só pelos pais, mas também pelos profissionais da entidade escolar. As especificidades alimentares de cada criança obrigam a entidade escolar a adaptar-se, gerando, por vezes, algum desconforto pelas adaptações que impõem e para as quais os técnicos nem sempre estão preparados.
O acompanhamento psicológico a crianças é frequentemente associado a problemáticas tais como dificuldades de separação e/ou aprendizagem, adaptação escolar, depressão e também ansiedade. No entanto, ao analisar as suas causas, constata-se, por vezes, a existência de alergias, do foro alimentar que implicam restrições e cuidados especiais. Deste facto, dependerá a plena integração escolar e/ou social da criança.
Por outro lado, para os pais, esta integração constitui um elemento gerador de elevados níveis de ansiedade, na medida em que o sentimento de controlo sobre os comportamentos alimentares do filho diminiu.

Dificuldades das crianças (e dos pais) com alergias

Tendencialmente, os pais de crianças alérgicas apresentam cuidados redobrados (ou excessivos!) com os seus filhos, restringindo, como forma de prevenção, a sua presença em eventos tais como festas de aniversários. Se, por um lado, este controlo pode ser importante, quando existe uma incapacidade ou incumprimento por parte da criança relativamente às indicações médicas, por outro lado poderá criar um sentimento generalizado de ansiedade traduzido num controlo excessivo sobre a rotina infantil..
Os cuidados acrescidos, e muitas vezes excessivos, que os pais têm sobre os seus filhos com alergias resultam, frequentemente, em significativas dificuldades de separação (que não estão presentes unicamente nos filhos, mas igualmente nos pais que vivenciam fortes sentimentos de ansiedade quando deixam os filhos numa creche ou escola nova).
Os sentimentos de ansiedade e depressão encontram-se, frequentemente, generalizados nas crianças com alergias.
As dificuldades de desenvolvimento da identidade e da autonomia surgem, aliadas a comportamentos defensivos, sentimentos de angústia, baixa auto-estima, medos diversos, instabilidade emocional, baixa auto-confiança, dificuldades de lidar com a frustração, problemas relacionais, sociais e isolamento, resultando numa integração social dificultada e, por vezes, dolorosa.

O papel dos pais na aceitação e convivência com a doença alérgica

Os pais desempenham, portanto, um papel fundamental na forma como toda a família, incluindo a própria criança, irá lidar com o facto de ser alérgica. E não tenhamos dúvidas: é possível lidar com a alergia alimentar do seu filho de forma serena e calma. Para isso, os progenitores poderão aplicar vários comportamentos, como por exemplo:
• Tenha em atenção as características únicas da personalidade do seu filho e aprenda a dar-lhe as respostas adequadas, adaptadas também à sua idade;
• Permita que o seu filho exerça as suas actividades autonomamente de forma a desenvolver as suas capacidades. Implique-o, com vigilância, de acordo com a idade e estádio de desenvolvimento, em todas as decisões relacionadas com as suas restrições alimentares, para que assuma um papel activo, autónomo e responsável sobre as suas acções, ajudando-o a tomar consciência clara das consequências dos seus comportamentos alimentares. Não se esqueça que não lhe será possível estar 24 horas junto do seu filho e terá que ser ele a tomar as decisões mais correctas;
• Explique aos seu filho que todos somos diferentes e, por isso, apresentamos características especiais e com as quais temos necessariamente de lidar de formas particulares. Lembre-lhe que o seu colega de escola do ano passado era também especial porque … e da prima que … e do Sr. António que ...;
• Não lhe transmita as suas angústias e medos. Ele irá facilmente perceber a sua ansiedade que passará a ser sentida igualmente pela criança;
• Converse claramente sobre a alergia do seu filho com o educador ou professor, explicando-lhe pormenorizadamente os seus aspectos específicos e cuidados a ter em atenção. Se achar necessário, elabore uma pequena listagem escrita dos aspectos mais importantes que considera essenciais para entregar na instituição escolar.

É fundamental, sobretudo, que os pais de crianças alérgicas estejam devidamente informados e consciencializem o filho alérgico dos cuidados que deve ter quando estiver sozinha. Este facto, reduz não só a ansiedade nos progenitores mas responsabilizará a criança que se sentirá então mais valorizada.

E nunca se esqueçam: deve sempre prevalecer o bom senso, a comunicação e miminho, muito miminho…sobretudo dos pais!


Dra. Marta Salazar

Psicóloga

Equipa BabySol®


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1 comentário:

  1. Olá Marta,

    obrigada por mais um artigo muito interessante. Eu sou mãe de um pequenito (17 meses) com intolerância à lactose e conforme ele vai crescendo as dificuldades vão sendo outras e cada vez mais pois eles começam a ter mais consciência do mundo que os rodeia.
    O meu filhote é muito curioso e cheio de apetite e então se vê coisas novas quer experimentar tudo! Só quis deixar o meu testemunho pois as situações mais complicadas que tive até hoje foram sempre por insistência "absurda" de pessoas (regra geral outros pais)na rua a quererem dar alimentos pois "coitadinho do menino está a olhar e quer comer". Inicialmente explico a situação, mas as pessoas insistem e querem dar à força. Acaba sempre a situação com uma atitude mais antipática da minha parte e com o meu filhote aos berros...
    Gostava apenas de levantar uma questão, quando for mais velhinho e for para a escola, vai haver muitas tentações, tanto de alimentos como de colegas, como o preparar para esta situação? Tal como referiu no seu artigo, é bom criar autonomia na criança desde cedo e explicar bem quais os alimentos a comer e a não comer e as consequências, mas sabemos que os colgas os vão tentar muito... como prepará-los melhor de forma a conseguirem resistir?

    Peço desculpa pelo testamento, mas acho que muitas mamãs enfrentam este problema e gostavam também de ter estar respostas.

    Beijinhos,

    Alda

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