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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A importância do iodo na alimentação infantil


No seguimento do post "Salsichas de legumes para Crianças", produto funcional que desenvolvi no âmbito do meu mestrado em Inovação Alimentar, cumpro hoje a promessa de escrever mais umas linhas sobre este assunto.
Na corrida contra o tempo para a preparação que a minha defesa de Mestrado está a exigir, falar-vos-ei hoje da importância do iodo na alimentação infantil, micronutriente requerido em baixas concentrações pelo organismo (= oligoelemento) mas de enorme impacto em crianças e grávidas, onde a dose diária recomendada é superior àquela verificada noutros consumidores (Ingestão optima recomendada: crianças - 90 ug/dia, grávidas - 200 ug/dia).
No geral, as pessoas associam o iodo, e muito bem, ao peixe e ao marisco, alimentos que pelo seu impacto alergéno e/ou de insegurança alimentar nem sempre são consumidos nas quantidades recomendadas nestes nichos populacionais. Ora, o iodo rapidamente entrou em deplecção na dieta infantil e essa evidência científica foi recentemente demonstrada, em Portugal, por um estudo desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Este trabalho, que decorreu entre 2007 e 2009, comprovou que cerca de 46 % das crianças portuguesas (entre os 7 e 12 anos) envolvidas no estudo sobre a carência de iodo apresentaram níveis baixos da presença deste elemento químico essencial para o funcionamento da glândula tiroide, enquanto 11 % revelaram indíces muito baixos. Nesse sentido, a Direcção Geral de Saúde considera a possibilidade de voltar a impôr no mercado a venda apenas de sal iodado, sobretudo para responder às necessidades verificadas nas crianças mas também em mulheres grávidas cujo impacto, e sua carência, também já foi evidenciado cientificamente.
O iodo tem a função vital de assegurar, no organismo, o funcionamento da glândula tiróide e deste modo garantir um bom funcionamento hormonal implicado no desenvolvimento do sistema nervoso e suas funções cognitivas repercutindo-se, no caso das crianças, na sua capacidade de concentração e até no seu rendimento escolar. Concretizando, está envolvido no desenvolvimento físico e mental, na maturação dos tecidos, na função muscular e cardiovascular, na reprodução e fertilidade, actuando fortemente no rendimento metabólico de vários nutrientes com os hidratos de carbono, proteínas, gorduras, sais minerais e vitaminas.
À semelhança de tudo o que se fala sobre Alimentação, este elemento químico deve ser consumido de um modo muito regrado pois o seu excesso no organismo provoca igualmente desiquilibrios. Curiosamente, no caso do iodo, o equilíbrio varia em função do consumo médio diário que a criança pratica (isto explica porque razão as crianças asiáticas comem livremente, e em quantidade, algas na sua dieta) e portanto torna-se extremamente difícil assegurar um bom desenvolvimento metabólico pois, se o consumidor infantil bebe mais leite ou consome mais legumes estará igualmente a ingerir mais iodo, surpreendentemente também presente nestes alimentos. E como já tenho dito, e porque somos FANTÁSTICAS, o leitinho da mamã também é imensamente rico em iodo :-))
Portanto, a estratégia alimentar que encontrei para diversificar a alimentação das crianças, oferecendo mais iodo, e facilitar aos pais a apresentação atractiva de legumes às crianças, foi desenvolver umas salsichas de legumes, 100% vegetais, capazes de serem integradas também na dieta de crianças alérgicas à PLV ou intolerantes à lactose, bem como crianças vegetarianas. Este produto, de carácter funcional, possui tofu na sua composição, que não é mais do que soja fermentada, cuja capacidade probiotica é poderosa e de maior interesse nutricional. O iodo está presente, não só pelos legumes, mas pela inovação do discreto ingrediente alga, em 0,8% da sua composição, actuando essencialmente como veículo de iodo e sabiamente como um sal funcional. E sem percepção sensorial para não aborrecer os pequenos gourmets...
Claro está que o iodo, sendo incorporado na sua matriz original - alga - permite, não só, uma maior biodisponibilidade no organismo como oferece ainda o valor acrescentado que a riqueza nutricional deste ingrediente alimentar oferece mas também assegura a exploração de novos recursos alimentares, de conhecido potencial milenar, e à disposição no nosso País.
Há pois toda a razão para ...ficar por perto!

Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação


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3 comentários:

  1. Só posso dizer que o artigo aqui colocado pela Dra. é exclente. De facto as algas são dos alimentos mais ricos em nutrientes que se possam imaginar, e existem em vastas áreas dos nossos oceanos.
    Continue a prendar-nos a todos com seus artigos tão esclerecedores. :)

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  2. Boa tarde.

    Se a Direcção Geral de Saúde considera a possibilidade de voltar a colocar no mercado a venda de sal iodado, então está desactualizada, porque já existe este tipo de sal à venda nas grandes superfícies. Ou será algo que se faz passar por sal iodado e não o é?

    Agradecia esclarecimento,
    Susana
    (mãe atenta)

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  3. Sim, Susana, tem toda a razão expliquei-me mal! Na verdade o que queria dizer é que todo o sal que será colocado à venda será iodado. Não será uma opção na prateleira no supermercado mas uma imposição que a DGS preconizará.
    Vou emendar o texto.
    bjs e obrg pela sua participação!
    Solange Burri

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