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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A alimentação infantil do Séc. XXI


Um destes dias, envolvida numa extenuante ocupação académica, dou por mim de estômago vazio, sem almoçar, às 16h00. A fome aperta, o organismo procura calorias fáceis e que rapidamente ofereçam prazer sensorial também. Eu, que sou, sobretudo, uma comum mortal, lá entrei num dos restaurantes de fast-food mais conhecidos do Planeta, o McDonald's, que é sem dúvida, também o local mais seguro do mundo para comer. Presenciei já 2 auditorias e posso dizer-vos isto, seguramente, pena é que o teor nutricional seja o ponto fraco...

Bem, e porque vos escrevo isto? Porque eu, excepcionalmente, almocei ao lanche, mas fiquei abismada ao constatar que avós, e pais, levavam as crianças para, às 16h horas lancharem hambúrgers e batatas fritas... Pode?

No seguimento do artigo que recentemente escrevi sobre o consumo infantil de "Fast-food", entendo hoje sensibilizar um pouco para 2 questões que merecem a máxima preocupação para que sejam trabalhadas o mais cedo possível:

- O que é afinal uma alimentação equilibrada?

- O risco de privação de alimentos importantes e seu impacto negativo na saúde infantil

Muito se tem falado, em comunicações científicas, nos media, e noutros canais de divulgação, na importância de uma alimentação equilibrada. Todos nós, profissionais de alimentação e de saúde, estámos de acordo. É importante recomendar, sensibilizar, para a manutenção de uma dieta equilibrada. Mas, as recomendações ficam-se por aqui e o comum consumidor capta apenas metade da mensagem, achando na sua consciência que este ou aquele cuidado que se recorda, favoreça este estatuto de dieta.

Na verdade, considero verdadeiramente utópico falar-se em equilíbrio, numa dieta, já que isso se retrata claramente no orçamento económico existente, no conhecimento que se possui neste domínio, nos recursos alimentares que existem ao dispôr e obviamente de factores psico-sociais como a dinâmica dos pais, e suas exigentes ocupações profissionais, e até a personalidade, e educação, dos filhos. Por isso, a única recomendação que posso dar, é que as pessoas se mantenham devidamente informadas e que variem os alimentos, preferindo aqueles que oferecem valor nutricional superior, como os alimentos lácteos, a fruta e legumes e os alimentos ricos em hidratos de carbono, menos processados (como o pão de mistura ou os cereais semi-integrais) pois saciam por mais tempo o organismo e oferecem maior teor de sais minerais e vitaminas.

E agora coloca-se outro problema, por vezes ruidosamente implementado e que fere o ideal desenvolvimento de uma criança e, asseguro-vos, representa uma preocupação científica mundial, nos países industrializados: as crianças revelam várias deficiências nutricionais e comprometem seriamente a sua futura qualidade de vida. São já reportados deficiências em ferro, em cálcio, em zinco, em iodo, em vitaminas A e do complexo B e, pelo contrário, consumo excessivo de proteína animal, açucar e sódio.

O que podemos nós pais, e outros educadores, fazer para minimizar este terrível impacto?

- Assegurar a distribuição repartida das refeições, ao longo do dia, respeitando os alimentos próprios para cada momento temporal (pequeno-almoço, meio manhã, almoço, lanche 1 e lanche 2, jantar e por vezes ceia);

- Privilegiar o consumo de alimentos de elevado valor nutricional que saciem o organismo e impeçam o consumo desmesurado de alimentos desinteressantes e que minam o organismo infantil porque afinam os receptores sensoriais da criança e induzem a sua descontrolável preferência e prejudicial consumo ao longo do dia;

- Manterem-se sempre informados sobre as questões de segurança alimentar, salvaguardando sempre a rotação de marcas e alimentos na dieta;

- Não ser extremista! As crianças primam pelo prazer sensorial e é digno que experimentem todos os alimentos, bons e maus. Neste último caso, cabe aos pais, determinar a menor exposição possível, fazê-la conjugando com alimentos saudáveis como de uma "negociação" se tratasse (ex. sopa ou legumes) e claro está, não comprar estes alimentos impróprios para o consumo em casa e promover o consumo de alimentos saudáveis de um forma estratégica, mas atractiva.

Como costumo dizer, espero ter ajudado. Este assunto é complexo e merece sempre apoio personalizado, acessível. Lembrem-se: o relógio das nossas vidas, das vidas dos nossos filhos, não pára. Cabe-nos a nós gerir esse tempo com qualidade para colher os frutos no futuro, eles agradecerão...


Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação


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2 comentários:

  1. Olá Solange, passei para lhe desejar um Bom Ano Novo, com muita felicidade e realizção, tanto pessoal como profissional;;)
    beijinho

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