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domingo, 21 de março de 2010

Papas para Bebé na mira da DECO…realidade ou ficção?


A famigerada revista Proteste da responsabilidade da DECO – Defesa do Consumidor publicou recentemente um artigo "Papas para Bebé" (Proteste nº 311 de Março/2010) que equaciona a qualidade nutricional, microbiológica, química e de rotulagem que algumas variedades de papas à venda no mercado português apresentam.

Têm sido vários os pedidos para que BabySOL® se pronuncie sobre este artigo da DECO, sobretudo porque derruba o consumo das papas biológicas, importadas, mais caras e muito procuradas por mamãs que desejam assim optimizar a alimentação das crianças a seu cargo. Ou possuem crianças mais susceptíveis…!

Atrevo-me pois, na minha humilde função de Coordenadora Técnica de BabySOL, a favor da educação alimentar ao consumidor português, a contestar este artigo sobre vários pontos de vista…

Após leitura atenta do artigo em questão, o aspecto que lamentavelmente me saltou logo à vista é a ausência da citação da legislação de alimentação infantil adoptada para a análise comparativa deste estudo de mercado, validando-a assim. Além disso, lamentavelmente, e mais uma vez na informação responsável ao consumidor, se desvaloriza o ritmo alimentar infantil face à amamentação, conforme diagrama da pág. 19 “Refeições nos primeiros 12 meses” nem tão-pouco se apresentam referências da origem desta informação. Constato também, pelo registo “n.a” (não legendado!) que a proteína quantificada no quadro comparativo se aplica unicamente a proteína de origem animal, presente no leite, e não de origem vegetal, presente nos cereais!? Lapso da legislação? Este seria certamente um ponto de partida para validar a qualidade das papas biológicas… E depois o contrasenso mais à frente… “Nenhuma farinha denominada «sem glutén» continha esta proteína”…

Assustei-me também com a legenda da última foto do artigo que, embora inconsistente com o texto que a acompanha, sugere a introdução do glúten a partir dos 4 meses de idade da criança. Isto é sério…e confunde!

No geral, apoio a maior parte das observações feitas nesta análise.

A rotulagem deficiente é ainda comum a vários produtos, nacionais ou importados, onde as instruções de preparação e de dosagem específica devem ser sempre bem mencionadas e que pode comprometer a sua aquisição, pois condiciona o nº doses/embalagem. Este facto está desfavoravelmente presente nas papas biológicas, e ultrapassa a indevida interpretação da DECO, na minha opinião, que a “Marca Holle recomenda leite na preparação, algo perigoso para bebés de 4 meses” (Pág. 20). Então e o leite do Bebé…materno ou de formula…esqueceram-se?

Considero estranho que as papas biológicas apresentem, ainda que dentro dos limites, um teor superior de nitratos o que não é consistente com a qualidade dos solos utilizados neste tipo de produção nem da ausência de pesticidas de síntese… De novo a concepção da rotulagem revela a necessidade de cuidado técnico mas que a DECO poderia evidenciar e salvaguardar um pouco a qualidade destes produtos a favor do planeta!

Encontrei ainda algumas incongruências, de carácter nutricional, como a recomendação “Citrinos, devido à acidez, e morangos, só a partir dos 9 meses”, “Introduzido o trigo, já pode incluir o pão branco sem fibra” e não compreendi a fonte de matéria gorda desfavoravelmente presente na farinha não láctea biológica Babybio.

No geral, na leitura deste artigo, lamento 3 aspectos:
- A deficiente rotulagem que ainda se pratica em Portugal, de produtos nacionais ou importados, sendo que deveriam ser sempre validados por técnicos competentes;
- Ausência de sensibilização ao consumidor, por parte da DECO, do interesse que as papas biológicas protegem a sustentabilidade ambiental e promovem práticas agrícolas mais seguras e que o mercado português ainda não as produz, e escoa, importando por vezes, e daí também o seu preço superior;
- A ausência de comparação das doses que o fabricante pratica. As papas são um produto ainda muito contestado pela comunidade médica que vê neste produto um alimento “enfarta-bebés”. Teria sido útil complementar este estudo com a validação técnica, ou pelo menos a contestação técnica, sobre as dosagens que deveriam ser realmente praticadas pelos fabricantes…

Bem, já sabem, se desaparecer em 3 dias é porque fui presa…pela DECO? Nahaa…
(infelizmente não posso disponibilizar o artigo neste blog senão assino a minha sentença…ehehe...mas sei que está disponível aqui)

E como costumo dizer…Espero ter ajudado :-)
Os seus comentários são sempre benvindos. É a sua reflexão que permite melhorar a intervenção BabySOL... fique por perto!
Dra. Solange BurriConsultora em Alimentação de Grupos de Risco




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