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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Família monoparental: que papel na educação infantil?

Quando, à 2 anos atrás, procurei uma Psicóloga para incorporar a Equipa BabySOL tinha um único objectivo em mente: mostrar às mães que o ambiente que circunda a criança pode comprometer, entre outros aspectos, o desenvolvimento da sua ideal alimentação... Fique, pois, atenta, a pequenos sinais que nada têm a ver com o que lhes é oferecido no prato...mas onde a criança consegue exteriorizar a sua tensão... Solange Burri

A maternidade e a paternidade implicam a responsável tarefa de educar, cuidar e proteger os filhos, o que exige atenção, interacção e preocupação diárias.
Actualmente, constata-se que o número de famílias monoparentais em Portugal tem vindo progressivamente a aumentar. Assim, a tarefa de educar os filhos adquire um papel unipessoal, cada vez mais assumido pelo progenitor que, de modo individual, coabita mais tempo com os filhos.

As famílias monoparentais são, portanto, famílias onde a geração dos pais está representada por um único elemento. Esta situação pode acontecer devido a vários motivos, como o divórcio ou separação dos pais, a morte de um dos progenitores ou ainda na opção de “pais solteiros”, em que um dos pais nunca assumiu plenamente a parentalidade.
Quando a mãe ou o pai vive sozinho com os seus filhos, acontece, por vezes, tentar criar uma ligação extremamente próxima com o filho, o que pode, caso esta seja demasiado protectora, limitar o desenvolvimento da autonomia da criança. Ao procurar compensar a ausência do outro progenitor, falha na imposição de regras e limites essenciais na educação da criança. Se é esse o seu caso, não se esqueça portanto que, como qualquer outra criança, o seu filho também precisa de espaço para a sua privacidade e, por um lado, de controlo e definição de regras estabelecidas por si.

No caso do divórcio ou separação, é importante tentar evitar transmitir ao seu filho os sentimentos negativos derivados do fim da relação conjugal. Ao mesmo tempo, é essencial, sempre que possível, assegurar a presença do outro progenitor na educação e vida do filho. Apesar de terem deixado de ser um casal, os progenitores não deixaram de ser ambos pais. Por isso, de forma a promover a necessária estabilidade emocional da criança, deverão ficar claramente definidas as “novas regras da nova família”. A concordância nas práticas educativas parentais utilizadas por ambos os progenitores é muito importante para o desenvolvimento psicológico saudável da criança.
No caso da morte ou ausência de um dos progenitores, é vital conversar com o seu filho, dando-lhe espaço para colocar as questões que ele desejar. Seja verdadeiro e dê-lhe respostas coerentes e consistentes sobre a ausência do outro pai e perceptíveis na faixa etária em que se encontra. Por exemplo, explique que a criança “tem um pai mas que está longe e não pode viver com ela” ou que “o pai morreu porque estava doente, tal como aconteceu com o animal de estimação que teve”.

Em todos os casos, podem surgir sentimentos de zanga, raiva e culpa na criança. Por isso, não se esqueça de fomentar o diálogo com o seu filho e de permitir, também, a libertação dessas tensões, importantes para assegurar a sua integridade psicológica.

E, claro … não se esqueça de si, pois o envolvimento na exigente tarefa de educar sozinho, tenderá a esquecer que também tem necessidades próprias e dúvidas também. A consciencialização de saber o que dizer à criança, e como fazê-lo no momento certo, exigem sobretudo preparação técnica da sua parte, que deve procurar continuamente em livros pedagógicos ou com profissionais qualificados.
Lembre-se: é importante valorizar cada momento que passa com a criança, promover um acompanhamento psicológico consistente e estar atento a pequenos sinais que a criança pode evidenciar em momentos de crise psicológica. Para saber como actuar… no momento certo!


Dra. Marta Salazar

Psicóloga da Equipa BabySOL



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4 comentários:

  1. olá Dra Marta.
    gostaria que me explica-se esta sua frase por favor.
    No caso do divórcio ou separação, é importante tentar evitar transmitir ao seu filho os sentimentos negativos derivados do fim da relação conjugal. Ao mesmo tempo, é essencial, sempre que possível, assegurar a presença do outro progenitor na educação e vida do filho.
    acha que na vida real isto será possivel?
    para isto ser possivel era como o casal viver novamente junto...não acha?
    para isso ser possivel a melhor Opção será o casal nem se separar....
    obrigada
    Aguardo a sua resposta

    ResponderEliminar
  2. Olá,
    Obrigada pelo seu comentário e participação neste blog.
    Relativamente à sua questão saliento que o importante é ter bem presente a noção de que deixou de existir o papel conjugal, mas que o papel parental se mantém. Apesar da possibilidade de existência de conflitos entre os progenitores, a criança deve perceber que esses problemas são limitados à vida dos adultos e nada têm a ver com o amor e a dedicação que os pais nutrem por ela. Ou seja, o que não correu bem na relação esteve exclusivamente relacionado com os adultos. Poder-se-á, por exemplo, explicar que o pai deixou de ser o marido ou companheiro, mas continua a ser o papá que gosta dele tal como dantes.
    Muitas crianças avaliam como positivo o fim da relação entre os pais, pois deixaram de ter presentes os constantes conflitos e discussões. Nestes casos, o progenitor que abandonou a casa continua a estar presente na vida dos seus filhos, quer no desenvolvimento de actividades de lazer, quer na imposição de regras e limites, indo buscar o filho à escola, participando nas reuniões escolares ou levando-o ao médico ao médico, por exemplo.
    Os pais têm pois que perceber muito bem que terão sempre a necessidade de manter a comunicação entre si para que as estratégias educativas utilizadas por ambos sejam consistentes e, assim, transmitam estabilidade à criança. Muitas vezes, esta tarefa não é fácil, mas a criança deverá ser colocada no centro dos esforços dos progenitores.
    Fico ao dispôr para qualquer esclarecimento adicional.
    Cumprimentos,
    Marta Salazar
    Psicológa da Equipa BabySOL

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  3. ola, mesmo que não tenha transmitido nenhum sentimento negativo á minha filha de tres anos na altura da separação, e a falta de atenção do pai enquanto vida conjunta com a filha, mais tarde isso irá ter algum tipo de revolta? Passado pouco tempo iniciei uma nova relação que eu considero bastante promissoria, houve uma entrega total de ambas as partes padrasto/enteada que ao qual sem ninguém lhe dizer ou ensinar nada lhe começou a chamar de pai, e assim tem sido até hoje, pois a presença do pai nunca mais existiu, porque jamais procurou por ela, apesar de sempre os meus contactos serem os mesmos e a morada também, foi um complecto abandono. Será que estamos a errar ao permitir esta situação? Pois todas as fotos que tenho no quarto da minha filha do pai ela já não o reconhece como tal. Será que é por a sua tenra idade? Ou estará num sentimento de negação? Obrigada pela sua atenção, aguardo a sua resposta

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  4. Cara mamã,

    Para assegurar o desenvolvimento psicológico harmonioso da sua filhota, a situação deve estar claramente esclarecida para ela. De forma adequada à sua idade e fase de desenvolvimento, deve perceber que o pai está longe e não pode estar com ela e que, como foi embora quando ela era muito pequenina, é natural não se lembrar dele, o que não tem problema nem é culpa dela. Poderão, ainda, reforçar a ideia do quanto o padrasto gosta dela que é quem, na realidade, está actualmente presente na sua vida.

    No fundo, o importante é a criança não ter qualquer dúvida acerca dos sentimentos positivos dos vários elementos da família relativamente a si, o que lhe proporcionará, com certeza, estabilidade emocional.

    Fico ao dispôr para qualquer esclarecimento adicional.
    Cumprimentos,

    Marta Salazar
    Psicológa da Equipa BabySOL

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