Tem dúvidas de como deve organizar a alimentação em casa?
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Prescrição alimentar



Existe preocupação dos Pais nas quantidades que os seus bebés ingerem, tendo receio que "o estômago alargue", ou que "fique muito gordo". Essa é exatamente a minha dúvida: as doses alimentares oferecidas aos Bebés em sopa, leite ou mesmo papas não devem ser aumentadas de acordo com o crescimento do bebé? (Mamã Carla, Educadora de Infância)

Normalmente quando tem lugar a alimentação complementar é comum o médico assistente da criança fornecer para cada alimento, e na refeição em que será ingerido, uma quantidade pré-definida sobretudo tendo em conta a idade da criança, a fase do seu desenvolvimento e é amamentada, em paralelo, ou não.
Claro que, na minha opinião, estas quantidades são meramente orientadoras já que o apetite da criança varia com factores tais como: metabolismo basal ao longo do seu desenvolvimento, atividade física maior ou menor, estilo de vida (se é amamentada, horas de sono que faz, qualidade dos alimentos que consome, etc) e claro, devendo-se sempre respeitar também a individualidade que cada criança deve merecer.
Constata-se, efectivamente que, estas medidas orientadoras, por serem isso mesmo, orientadoras, facilmente podem ser desajustadas sobretudo se há relutância alimentar por parte da criança ou se, pelo contrário, há um receio exacerbado que a criança ainda tenha fome e assim, é-lhe fornecido mais alimento do que aquele que realmente precisa para suprimir as suas necessidades nutricionais e energéticas. Este facto representa, infelizmente, um dos indicadores na obesidade infantil pois é nos primeiros anos que a relação com a alimentação se estabelece e muitas vezes, a criança chora por sono ou cansaço e, inconscientemente, o alimento é constantemente oferecido na ânsia de lhe proporcionar bem-estar rapidamente. O dano psicológico, silencioso, é severo e toma forma anos mais tarde. Normalmente a criança evidencia claramente excesso de peso, e também uma dependência pelo alimento que deve ser cuidadosamente acompanhada por profissionais, como o pediatra, nutricionista e nalguns casos, psicologo. Mas antes disso é preciso que a Família identifique o problema, se motive a envolver-se na resolução e peça apoio. Processo difícil e sensível pelo que os Educadores de Infância devem, numa abordagem preliminar, estar perto dos Pais já que os indicadores se denotam já nas fases mais precoces da Infância.
Há pois uma enorme necessidade de todas as pessoas que alimentam as crianças, perceberem a quantidade de alimento que estas precisam. É fácil, basta garantir o seguinte:
- Uma rotina alimentar, cumprindo horários;
- Impedir que coma alimentos a toda a hora. Ensinar a criança a comer nos horários estabelecidos e nunca fora deles;
- Não insistir quando a criança não manifesta fome garantindo-se, contudo, que comeu uma quantidade de alimento média. E eventualmente ajusta na refeição seguinte;
- Vigiar apetite e não administrar estimulantes de apetite sem prescrição médica;
- Evitar o consumo de líquidos em excesso durante as refeições;
- Não ceder a birras, mas contorná-las;
- Insistir na diversificação, quer de alimentos, quer do modo da sua apresentação.
É muito importante "escutar" os sinais da criança que o seu apetite terminou. Seguir o seu ritmo. Repare se, concluída a refeição, volta a ter fome rapidamente. Se assim for, pode ser gula. Insista no consumo dos alimentos energéticos, como o arroz, a massa ou a batata, não descurando claro o de proteína, presente na carne, peixe, ovo e legumes.
E como costumo dizer…Espero ter ajudado :-)

Com vista à promoção de uma Alimentação Saudável na Famílias, este artigo tem autorização da autora para ser publicado em sites de Escolas, Creches e Infantários. Apenas se solicita que não se altere o seu conteúdo e a sua origem/autoria seja preservada.

Os seus comentários são sempre benvindos. É a sua reflexão que permite melhorar a intervenção BabySOL... Não estará a dar alimento a mais? Ou a menos? Há quanto tempo mantém a mesma quantidade de alimento, depois da última prescrição?
Dra. Solange Burri
Consultora em Alimentação em Escolas e Jardins de Infância
(Mestre na área da Nutrição Infantil)









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1 comentário:

  1. Tenho um filho de 10 meses, e no início tinha receio de lhe estar a dar comida a menos ou a mais. Mas o engraçado é que ao longo da refeição nota-se claramente que ele já está a ficar satisfeito e, por norma, quando já está cheio ele não abre a boca. Eu costumo perguntar-lhe se ele quer mais ou não e quando ele ainda aceita mais uma colher ele abre a boca, senão nem "a ferros" a comida entra. :) Só se for banana, aí ele come sempre tudo até ao fim, mas nós vemos que é gulodice. ;)
    Mas é sempre um receio que tenho, e é sempre bom "ouvir" quem sabe do assunto.
    Obrigada pelos ensinamentos que me tem dado.

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