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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O que os Bebés gostam de comer...?


Palatibilidade...? O termo é, no mínimo, estranho. E por isso não deveria iniciar este post nestes moldes. Mas é importante. Muito importante. PA-LA-TA-BI-LI-DA-DE. O que significa, segundo o dicionário português: o que é palatável, que tem sabor, que é agradável.

Nos últimos anos os investigadores da ciência alimentar têm-se debruçado firmemente sobre as características dos alimentos que levam à sua aquisição. O sabor, o aspeto, a textura e o cheiro são pequenos detalhes, quase imperceptíveis, que levam as pessoas a escolher um ou outro alimento, de acordo com estímulos nervosos que nem percepcionam e estão na ordem do dia quando se fala em marketing alimentar ou em consumismo alimentar. A palatabilidade incide na característica do sabor que dá prazer ao consumidor alimentar e o instiga a consumir determinado alimento em detrimento de outro, por vezes até menos saudável. Como exemplo, posso salientar o consumo de fast-food: toda a gente sabe que é pouco nutritiva mas nem contudo consegue parar de comer. Faz sentido? A combinação entre o teor de gordura, de açucar e de sal versus cores e texturas tornam esta cadeia de restaurantes famosa sobretudo também pela facto do consumidor saber que indepentendemente do ano, do local, da hora, o sabor é o mesmo, o que espera.

Ora, no que diz respeito à Alimentação Infantil, este aspecto é importantíssimo sobretudo se pensarmos que o Bebé está tão receptivo a todos os estímulos que a circunda, sejam cores, cheiros, movimentos mas contudo deseja ser conquistado/a e, quando isso suceder, existir alguma constância nos sabores que lhe apresentam, dia-a-dia!

Fotografia: M. João do Era uma vez...


O que quer dizer que perante a necessidade expressa da tantas vezes a progenitora diversificar a alimentação, também é importante que uma vez conquistado um sabor que o bebé aprecie, este deve ser apresentado no mesmo formato culinário pelas seguintes razões:

1 - Para que o bebé mais depressa associe um sabor a um alimento;

2 - Porque está em aprendizagem alimentar e se deseja expor o bebé mais do que uma vez a esse sabor, enraizando essa preferência;

3 - Porque psicologicamente o bebé está pouco receptivo a mudanças, e adora a rotina, por onde se orienta.


Nesse sentido, considero pertinente que se abra guerra na cozinha e se faça, por favor, comida agradável para o bebé, que até os pais tenham prazer em a comer! Porquê? Porque é importante que (também) a comida do bebé tenha palatabilidade, seja agradável, seja saborosa, seja atrativa, seja irresistivelmente boa!

A maior parte das pessoas concebe que a alimentação saudável é uma dieta insípida, completamente indicada para os bebés e que se recomenda aos pais em sabor, facto completamente errado. Uma boa alimentação pode e deve ser enriquecida de ervas aromáticas, um bom azeite extra-virgem (desde que em quantidade discreta!), alho fresco q.b., legumes e fruta frescos, especiarias, tantos ingredientes e tão ricos em que a nossa gastronomia é nobre e que tão depressa podem convencer as crianças mais resistentes e permitem também uma adaptação muito mais rápida à alimentação dos adultos, contribuindo também para o relaxamento familiar no que diz respeito á preparação das refeições de toda a Família. 

Assim, o conselho que deixo hoje é que transformem os pratos destinados ao Bebé em verdadeiras atrações culinárias, suculentas, dignas de a/o conquistar à primeira colherada em que, sobretudo o azeite, tenha o dom de ligar os ingredientes para além das enormes propriedades nutricionais que favorecem tão bem o seu intestino e a absorção das vitaminas que necessita. Lembrem-se também que o alho representa um poderoso antibacteriano, excelente para reforçar o sistema imunitário e que pode ser introduzido na dieta infantil a partir dos 8 meses, tal qual as ervas aromáticas que arrasam qualquer tentativa de adição de sal.

Pensem nisto e...na dúvida, o pai, a avó, o vizinho, o cão... prova e... aprova! Combinado?


Dra. Solange Burri
Consultora em Segurança Alimentar doméstica

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