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domingo, 30 de novembro de 2014

Quais os cereais mais adequados para o seu Filho?


São vários os contactos que me chegam focando dúvidas sobre que cereais comprar para as crianças comerem ao pequeno-almoço. A importância de diversificar e enriquecer a 1ª refeição do dia para além de aumentar a ingestão de alimentos energéticos são as principais causas que levam os pais, e muito bem, a procurarem introduzir este produto na dieta alimentar dos seus filhotes.
Contudo, a ideia apesar de boa, e coerente, pode tornar-se num perfeito e desiquilbrado desastre nutricional se a desvairado marketing alimentar vencer e no prato da criança surgirem variedades de cereais carregados de açúcar, chocolate, mel e até de ...sal.
Vale pois a pena falar hoje um pouco sobre a enorme panóplia de cereais à venda no mercado e, alguns deles, inapropriados ao consumo infantil.
Gostaria ja salientar que a opinião que irei tecer neste artigo é completamente isenta, com total transparência, tendo contudo o respeito profissional de não ferir a Industria alimentar...tal qual tenho feito com os artigos "Vou presa" e de onde destaco, face ao âmbito deste post, "O mel na alimentaçao infantil".


Apesar de se ter verificado a proibição de anunciar nos media o consumo de cereais para consumo infantil, dado o seu desfavoravel impacto nutricional, a verdade e que estes produtos continuam a aliciar miúdos e graúdos tendo em conta a sua vasta variedade nos espaços comerciais e quase sempre associada a interessantes brindes, de agrado certeiro da pequenada.
Atingindo um público alvo socialmente heterogéneo, que procura sobretudo enriquecer o pequeno-almoço, sobretudo quando o habitual biberão de leite se revela pouco saciante para a criança em pleno desenvolvimento, os cereais ocupam o lugar de destaque pela sua practicidade no consumo, na comodidade de estar pronto a comer e no elevado prazer sensorial, associado a formas e cores, que a criança nunca rejeita, encontrando-se assim e a preços até atrativos uma escolha muito fácil para o público que, acredita, estar assim a contribuir para o adequado desenvolvimento e a boa alimentação infantil...
Os cereais à venda no mercado, anunciados para consumo infantil apresentam, na sua maioria, uma rotulagem bastante completa e portanto de fácil interpretação. É pois importante que o consumidor esteja devidamente informado para interpretar a informação que lhe é disponibilizada para assim concretizar, face aos seus padrões de escolha, a sua aceitação, ou não...
Nao pretendo com este post divagar sobre a linguagem da rotulagem, por vezes vasta e complexa, mas confusa e até dúbia nalguns casos. Enquanto não definirem um critério comum para toda a Indústria Alimentar, o que já irá suceder a partir de dezembro/2014, através da aplicação do Reg.1169/2011/UE.


Na minha opinião, considero que os cereais supostamente aclamados para consumo infantil são aqueles, entre todas as variedades destes produtos, que apresentam a avaliação nutricional mais negativa e portanto são precisamente esses que devem ser os mais evitados. O seu elevado teor em açúcar, que ultrapassa em quase todos os casos os 15g/açúcares totais por 100g/produto para além do elevado teor em sódio, vulgar sal, que apresentam são razões mais do que suficientes para alertar os pais da escolha mais sensata que devem efectuar no momento de comprar os cereais destinados ao consumo infantil. Estes 2 ingredientes, aparentemente tão inofensivos, entre as várias implicações que trazem para o distúrbio da saúde, a médio e longo prazo afinam as papilas gustativas do pequeno consumidor e condicionam a que procure consciente e inconscientemente alimentos com teores mais elevados de açúcar e sódio, nomeadamente sumos e refrigerantes, bolachas, pães industriais, exemplos de alimentos com baixo interesse nutricional e que afastam da dieta aqueles que realmente devem sempre predominar: a fruta e os legumes, o leite e os cereais menos refinados.
Conclusão: o devaneio nutricional e duplamente negativo a longo prazo, traduz-se inevitavelmente no encaminhar precoce de uma alimentação deficitária e onde a falta de proteína, e de hidratos de carbono de absorção lenta não correspondem à taxa de crescimento e suas necessidades energéticas e nutricionais.
Assim, recomendo que a partir de hoje, e na hora de comprar estes produtos que se desejam ricos em hidratos de carbono, mas mais ricos em fibra, se dirijam DI-REC-TA-MEN-TE à zona dos cereais para consumo familiar, deixando para trás os rótulos decorados com bonecos e publicitando brindes infantis.


Os pais devem procurar variedades de cereais com um teor de fibra mediana já que as versões mais ricas em fibra também não são as mais adequadas ao consumo infantil porque impedem uma boa absorção do cálcio, e outros minerais, o que não se deseja, sobretudo nas crianças. Assim, o teor de fibra pode rondar as 10g/100 g de produto e, idealmente, o sódio deve ficar por valores abaixo dos 300mg/100 g produto (= 0,3g/100 produto). 


Será sempre interessante reforçar, relativamente ao consumo de cereais, ainda o seguinte:
1 - Cereais processados nunca devem ser ingeridos como snack, ou seja a "seco", pois foram concebidos industrialmente para absorver líquidos. Se não forem acompanhados com leite, ou outra bebida, poderão provocar episódios de obstipação, mais crítico nas crianças mais pequenas;
2- Nao devem fazer parte habitual do pequeno-almoço mas constituirem apenas uma alternativa pontual. O pão, preferencialmente de mistura, de centeio, de girassol, etc. são excelentes opções e permitem versões e recheios variados (ex. fiambre, manteiga, compota), quebrando facilmente a monotonia;
3-Importante, e muito interessante também, enriquecer nutricionalmente uma dose de cereais com fruta misturada ou frutos secos, tão ricos em vitaminas e minerais. Pedacinhos de fruta (ex. banana, morangos, pêra, maçã) e/ou de frutos secos (ex. amêndoa, noz) é uma forma excelente de variar, tal qual o pão, a oferta de uma simples refeição à base de cereais. Porque é que estamos tão habituadas a enriquecer iogurtes para os filhotes e não procedemos de igual modo com a ingestão dos cereais? 

4 - Experimentem também oferecer flocos de aveia com leite, e fruta, ou muesli com passas de uvas e fruta desidratada. Há mil possibilidades para oferecer, à criança, e tantas opções saudáveis e acessíveis! Aproveite a sua curiosidade, dê o exemplo e insista...delicadamente...cada dia!

Saliento ainda que, à semelhança do açucar e do sódio (sal), o mel ainda que apresente excelentes propriedades terapêuticas e medicinais, constitui igualmente um ingrediente a evitar pela sua capacidade estrategicamente adoçante, o mesmo acontecendo com o chocolate, pelo seu elevado teor em açúcar, gordura e sal.


Será sempre interessante reforçar, relativamente ao consumo de cereais, ainda o seguinte:
1 - Cereais processados nunca devem ser ingeridos como snack, ou seja a "seco", pois foram concebidos industrialmente para absorver líquidos. Se não forem acompanhados com leite, ou outra bebida, poderão provocar episódios de obstipação, mais crítico nas crianças mais pequenas;
2- Nao devem fazer parte habitual do pequeno-almoço mas constituirem apenas uma alternativa pontual. O pão, preferencialmente de mistura, de centeio, de girassol, etc. são excelentes opções e permitem versões e recheios variados (ex. fiambre, manteiga, compota), quebrando facilmente a monotonia;
3-Importante, e muito interessante também, enriquecer nutricionalmente uma dose de cereais com fruta misturada ou frutos secos, tão ricos em vitaminas e minerais. Pedacinhos de fruta (ex. banana, morangos, pêra, maçã) e/ou de frutos secos (ex. amêndoa, noz) é uma forma excelente de variar, tal qual o pão, a oferta de uma simples refeição à base de cereais. Porque é que estamos tão habituadas a enriquecer iogurtes para os filhotes e não procedemos de igual modo com a ingestão dos cereais? 

4 - E que tal experimentar também a oferta de cereais não processados, como a aveia ou o muesli? Se os pais podem dar o exemplo, no consumo destes alimentos saudáveis, façam-no sem hesitar. Enriqueçam a refeição com fruta desidratada, ou fresca, e variem cada dia. 

Consultora em Segurança Alimentar doméstica


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